quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Magra de ruim?


Já falei sobre isso algumas vezes nas redes sociais e afins, mas sempre vale o reforço.

Sempre fui do tipo conhecido por "magra de ruim". Aquele que come um boi inteiro e continua com seus gambitinhos. "Magrela" e "Olívia palito" sempre foram meus apelidos. Quando estava na pré-adolescência, minha mãe e o resto da família tentavam me consolar dizendo que, quando eu chegasse aos quinze, "ganharia corpo". Estou com 24, e pra dizer a verdade, esse dia nunca chegou. E eu não estou dizendo que isso é uma coisa ruim. Na verdade, não é nenhuma dessas coisas. Ser magra faz parte do minha estrutura física e do meu metabolismo (acelerado), e isso não é sinônimo de mais nada, nem de ser saudável, por sinal! Quando vez ou outra, dou para reclamar da minha magreza, ouço "mas pelo menos você é magra", porque em algum universo totalmente cruel e maldoso, alguém inventou que ser magra é sinônimo de felicidade. Calma aí, minha gente. Ser feliz é sinônimo de se sentir bem consigo mesma(o), independente de ser gordo, magro, alto ou baixo.

Apesar das pessoas acharem que ser do tipo magro de ruim seja uma vantagem, afinal, teoricamente, eu posso comer quanto eu quiser o que eu quiser, as coisas não são bem assim. Eu disse teoricamente, porque ser magro às vezes pode ser uma pegadinha. Descobri há uns anos atrás que meus índices de colesterol/triglicéries estavam mais altos que deveriam. Nada grave, mas algo da qual eu deveria tomar atento, assim, pro resto da minha vida basicamente. Enfim, a minha vida sedentária e alimentação desregrada estavam tendo consequências.

E isso não é tudo. Devido a minha grande facilidade ao emagrecimento, estados latentes de estresse, depressão, nervosismo, entre outros, podem causar um pequeno estrago. Dois dias me alimentando mal podem acabar com um trabalho de meses recuperando meu peso. Essa perda rápida de peso acaba mexendo no meu sistema imunológico, que enfraquece e me deixa suscetível a doenças oportunistas. Tive algumas vezes estados reais e um pouco graves desse ciclo, o que me deixou, digamos, um pouco neurótica com esse negócio de peso.

Depois disso tudo, decidi que precisaria levar uma vida mais saudável, mudando hábitos alimentares e praticando atividades físicas frequentemente. Comecei a academia há uns anos atrás (tive muitas idas e vindas, mas agora estou firme) e tenho que dizer: nunca me senti tão forte. Forte fisicamente, afinal, naquele momento eu conseguia abrir todas as garrafas de refrigerante, algo que antes era um pouco difícil, ou então tarefas que demandavam muito esforço se tornaram simples. Era estranho, pra alguém como eu, que sempre foi tão frágil, finalmente me sentir menos "quebrável". Isso me motivou a procurar outros esportes (patins!!!) que antes não queria praticar por medo de me machucar. Mas o mais impressionante mesmo foi como tudo isso mudou alguma coisa dentro de mim: eu não tinha mais medo. Todas essas mudanças de hábito me tornaram mais resistente: meu peso agora é constante, meu humor é controlado (nada de recaídas de estresse ou depressão) e quase não fico mais doente. Sinto que finalmente não preciso ser uma louca-do-ganha-peso. Hoje, eu vou pra academia porque gosto, porque isso me faz sentir bem (endorfina, né, minha gente), porque gosto da sensação de me sentir resistente. E de quebra, isso ajuda meu corpo a permanecer mais saudável.

No fundo, sempre fui assombrada pelo fantasma da magreza, porque de alguma forma estava associado ao fato de que alguma coisa estava errada comigo, tanto emocionalmente, quanto fisicamente. Eu já aceitei que posso não ser exatamente do jeito que gostaria (afinal, nunca estamos satisfeitos com nossa aparência), mas enquanto eu estiver fazendo as coisas que gosto de fazer, cuidando de mim e do meu corpo, eu estarei no caminho certo.

Isso não quer dizer que as pessoas precisem fazer o que eu faço pra serem felizes. Como eu disse antes, cada um tem seu corpo e é responsável por ele. Ser saudável também é uma escolha que envolve muitas mudanças, muitas vezes até mesmo traumáticas (quem nunca conheceu uma louca-da-dieta?). As coisas não precisam ser assim tão radicais, a não ser que isso envolva algum risco mais grave. Eu particularmente acredito que pode, sim, haver um equilíbrio entre uma vida saudável e aquela livre de privações. Quem vive na neura e se priva de comer um chocolatinho, ou ir num churrasco de domingo, na verdade, está apenas tornando mais difícil algo que podia ser moderado e ainda assim prazeroso.

E ainda assim, esta é apenas a minha opinião. Conheço gente que leva muito a sério os treinos da academia, não faz concessões a comida, e também conheço gente que come tudo o que tem vontade, sem rodeios. E o mais curioso, isso também não tem nada a ver com ser gordo ou magro. É preciso ter em mente que estas são escolhas pessoais que nada tem a ver com os outros, também. Todos nós temos as nossas razões para sermos ou não obcecados por peso, e eu não estou pedindo para que as pessoas entendem, mas que percebam que isso é um direito meu.

Você pode estar se perguntando porque decidi contar toda essa história, num texto tão longo. Eu não costumo ficar falando sobre essas coisas, porque afinal, a luta é minha e de mais ninguém, mas é que todos os dias me deparo com comentários maldosos e completamente descabidos sobre a aparência alheia, seja sobre o peso, sobre a roupa, sobre a celulite de tal pessoa, sobre como não-sei-quem é feia(o), etc. Gente, chega dessa ditadura da beleza. Falei no último vídeo sobre a influência que as pessoas próximas a mim (ou não) tiveram sobre a decisão de alisar meu cabelo durante a adolescência, e como isso determinou uma geração de meninas que consideravam seu cabelo "ruim". Agora finalmente estamos vivendo uma "moda" mais democrática, que abraça as nossas diferenças e particularidades, e oferece opções.

E agora você pode escolher dentre todas essas coisas aquela que realmente te faz feliz, te faz sentir confortável, e não fazer o que as pessoas acham que você deve fazer, ou pior: ser quem as pessoas acham que você deve ser.


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