terça-feira, 5 de agosto de 2014

Para todos os outros: obrigada e boa sorte

Apesar de ficar a maior parte do tempo centrada nas coisas que importam de verdade, vez ou outra fico sabendo de algumas coisas que são ditas por aí. A maior parte eu ignoro, sabe, pra evitar a fadiga. Pra ser sincera, tenho preguiça de ter que lidar com certas coisas, simplesmente porque estou ocupada vivendo minha vida, resolvendo meus problemas, trabalhando, pagando minhas contas e fazendo minha arte. E eu continuo postando nesse blog, criando conteúdo e gravando vídeos porque acho essencial essa troca com os leitores do Vidas. E mesmo que não sejam leitores, mas que sejam as pessoas que estejam interessadas no que eu tenho a dizer ou no que eu faço. De verdade, eu não estaria fazendo isso se não gostasse, não somente da produção de tudo isso, mas também do impacto que pode causar nas pessoas. Eu acredito que, mesmo não sendo nenhum guru, nem tido uma experiência vasta, ainda assim tenho uma experiência válida para passar para as outras pessoas. E isso é mais do que tudo que eu tive quando eu estava começando. Cada comentário que recebo de agradecimento faz todo o trabalho valer a pena, e acho que alguns de vocês devem saber como sou grata a cada uma dessas palavras, principalmente quem me acompanha aqui há mais tempo. É isso que sempre me faz continuar.

Dito isso, eu não vejo razão pela qual deva ficar me justificando pelas coisas que eu faço - ou não, sendo que ninguém está vivendo por mim ou pagando minhas contas.  Mas eu não me surpreendo. Não vim ao mundo esperando ser amada por todos, não mesmo. Se sou amada, se tenho reconhecimento sobre as coisas que faço é porque alguém (ou várias pessoas) acreditam que o que eu faço é de certa forma relevante. E não sou sou eu que estou dizendo isso. Meu trabalho sempre será importante pra mim, porque sou autora dele, assim como é para as pessoas próximas de mim, que me conhecem, e mesmo assim todas elas tem o direito de odiar, achar ruim, idiota, etc.

Como artista, meu objetivo é chocar. Não de forma totalmente literal, mas nos detalhes, no âmago. Eu quero tocar, quero fazer sentir. Sentir de verdade. Que o mundo está aí e ele é cruel. Não existe alegria sem tristeza, nem sabedoria sem sofrimento. Podemos fingir que o mundo é lindo, mas a beleza é relativa, e a minha está associada a todos esses sentimentos. Então, haters gonna hate, mas essa é a minha arte, essa é a minha verdade. Não importa o que você diga, ou o que você ache, mas eu jamais fingiria ser outra pessoa apenas para agradar. Eu me odiaria, preferiria a morte.

E apesar de saber que existem pessoas verdadeiramente interessadas nas minhas histórias, ainda assim, eu não poderia afirmar com certeza que irei publicar outro quadrinho em breve. Talvez daqui alguns meses, talvez daqui anos. Eu não sei. Eu irei fazer quando achar que preciso, quando achar que posso. Quando tiver uma história que eu sinta dentro de mim que precise realizar. Eu não faço quadrinho porque eu acho que DEVA fazer, ou porque devo algo a alguém. Não.

E aqui vai um texto que publiquei no Facebook. Espero que isso encerre o assunto:

Pro pessoal que acha que eu só posto bobagem no facebook: eu tô cagando pra o que você acha. A vida é minha e eu faço o que quiser dela. Tem gente que me acompanha desde muito tempo, desde antes de eu ser fanzineira. As pessoas sabem quanto eu lutei e continuo lutando, e a verdade é que me importo verdadeiramente com elas, e elas sabem disso. Meu carinho com meus leitores é visível em todo lugar, nas minhas páginas, no meu blog, nos meus comentários. Sem meus leitores de verdade eu não teria ido tão longe.
Como eu já disse algumas vezes, a minha grande alegria é que meus leitores, principalmente os mais antigos, não foram obrigados a gostar de nada. Eles simplesmente gostavam e compartilhavam, nada mais sincero que isso.

Então, as pessoas podem falar o que elas quiserem, de verdade. Sintam-se a vontade. Se você não gosta do que eu faço, acha idiota... bem, sinto dizer: não estou fazendo isso pra você. Ninguém é obrigado a gostar. Simples assim.
Já fui muito criticada em vários aspectos do meu trabalho. Já recebi comentários que me recuso a chamar de crítica, porque existe um limite entre ser racional e ser apenas um escroto. Mas a vida continua. E continuou de fato. Nada disso me impediu de finalizar um quadrinho, ou de ser publicada. Muitas daquelas palavras me ajudaram de forma direta (no caso das críticas) e outras apenas me colocaram pra frente, só pra mostrar que era possível fazer. E eu fiz, cara.
Eu e mais alguns colegas de profissão fomos muito longe porque acreditamos suficientemente, e nos empenhamos muito além do que a compreensão de certas pessoas. Mas cada um tem a sua história, tem seu caminho, tem a sua arte. Cada um com a sua arte.
Eu não estou aqui pra agradar ninguém não. A quem agrada: obrigada por ficar. A todos os outros: a porta alí está aberta, obrigada e boa sorte.



Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Seu trabalho e lindo e vc nao precisa dar satisfações aos tontos que defecam pela boca. Parabens pelo trabalho ja feito e que venha outros^^

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  2. Ninguém é obrigado a gostar de tudo e obviamente ninguém gosta de tudo. Se pessoas o suficiente para você conseguir uma editora gostam do que você faz, é uma coisa de qualidade. Muita gente pode confirmar isto.
    Não sei o que comentaram, mas a era da internet acabou criando esse tipo de costume, onde as pessoas falam o que querem sem avaliar o próprio ponto de vista que está sendo lançado. O melhor a fazer é ignorar, porque este tipo de comentário não serve para alguma coisa.
    Abraço õ/

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