quinta-feira, 8 de maio de 2014

É engraçado quando fazemos a diferença

Ultimamente ando lendo bastante coisa bacana sobre toda a minha trajetória com o Vidas. A primeira e mais evidente é que eu mostrei que é possível publicar quadrinhos no Brasil, ou ainda, que é possível publicar mangá nacional. Alguns gatos pingados, claro, conseguiram fazer isso antes de mim; não sou uma pioneira no "gênero" (não considero o quadrinho nacional como gênero, apesar de dividirem nossos quadrinhos assim em lojas e sites da vida). Mas eu comecei do zero, não tinha reconhecimento algum, era apenas uma estudante com muitas ideias, ideias até demais, que teve a coragem de ir além. Ou em outras palavras: fui lá e fiz acontecer. Não consigo imaginar viver a vida de outra forma, sinceramente...

Já falei sobre isso por aqui, que no meu caso foi um jogo de dar as caras e ter um pouco de sorte, estar no lugar certo e na hora certa: ser vista. Mesmo do meu jeito tímido, usando a internet como maior ferramenta de divulgação, deu certo. Quer dizer: é possível fazer, sim.


Anime Do deste mês, com Vidas na capa (n.126)

Sempre fico feliz quando a minha história fica em evidência, seja em sites ou revistas. Afinal, sempre queremos ir mais longe, alcançar novos públicos, e além de tudo isso, ser cada vez mais reconhecida por algo que é tão importante pra mim. E desculpe se o discurso parece repetitivo. Estou na vibe de finalmente colher os frutos do meu trabalho, e isso não quer dizer que eu seja assim tão famosa ou ganhe rios de dinheiro. Quer dizer que eu tenho uma nova fonte de renda, que me ajuda a organizar minha vida aos pouquinhos, para daqui pra frente conseguir produzir mais quadrinhos.

Matéria na Anime Do (n.126)

Quando comecei, era estudante, tinha todo o tempo do mundo, e mesmo enquanto trabalhava fora, minhas prioridades eram outras. Então sempre dei um jeito de desenhar uma página aqui e outra alí. Foi assim que surgiu o Vidas. Hoje as coisas são um pouco diferentes, porque eu me formei, caí no mundo, e preciso pagar minhas próprias contas. Eu tenho planos também, de ser independente da minha família e tudo mais. Chega um momento da nossa vida que precisamos fazer escolhas...

Acredito que muitos estejam nessa situação, engessados pelo trabalho e sem tempo ou disposição para produzir. Apesar disso, muita gente veio a mim dizer que engatou seu próprio quadrinho se inspirando pelo meu exemplo. Poxa vida, isso é demais! São pequenas coisas que, olha, fazem nosso dia, e essa é uma delas.

Para muitos autores, produzir quadrinho ainda é uma fonte secundária de renda. Muitos mantém um emprego fixo em algum lugar, e desenham nas horas vagas. Isso é tão comum que chega a ser triste, mas é assim que funciona na vida real. Não é só de glamour pela profissão que vive um quadrinista. Nossa luta é uma luta de todos os dias, é algo que fazemos por conta porque não podemos viver sem isso, mas também precisamos comer, pagar as contas, viver. Se você consegue fazer tudo isso desenhando quadrinhos, melhor! É possível viver só disso, mas não quer dizer que você vá começar assim, do nada. Por último, minha dica é: não paute sua vida pela dificuldade, mas sim criando uma alternativa, fazendo seu sonho acontecer de alguma forma.

E assim, vamos caminhando para cada vez mais longe =)
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