segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sobre ser plural



Outro dia estava numa festinha de família, fotografando, e vi duas pessoas conversando:

"Vamos tirar uma foto"
"Mas está meio escuro aqui dentro..."
"Tudo bem, porque minha sobrinha é fotógrafa"

Bom, eu achei engraçado ser chamada de "fotógrafa" sendo que não atuo profissionalmente com fotografia, mas faz todo o sentido que eu seja uma fotógrafa para a minha família porque eu sempre tive interesse pelo tema, sempre busquei melhorar minhas fotos e invariavelmente tirava as fotos "mais bonitas" dentre eles - e além disso, também tenho uma câmera profissional.

Acredito que num geral, as pessoas com tendência para as artes tem um olhar diferente para a fotografia, mesmo que não conheça todas as técnicas nem tenha o melhor equipamento. Eu quis uma câmera profissional porque poderia explorar efeitos que uma câmera digital não permitia, e é incrível como até hoje descubro coisas que não conhecia antes...

Uma vez, em alguma aula da faculdade, ouvi que "fotografia é sobre olhar", é sobre aprender a olhar, entender a luz, escolher o melhor ângulo e enquadramento, tudo isso, muitas vezes em poucos segundos (sob o risco de perder o "momento perfeito"). Nunca achei que eu fosse ótima nisso, e talvez eu chegue a ser boa. Existem pessoas que simplesmente nasceram pra isso, dá pra perceber. Têm uma facilidade impressionante e um olhar afiadíssimo, realmente...

Mas esse post não é sobre fotografia, é sobre a minha vontade de ser plural. Eu gosto tanto de fotografia quanto gosto de editar vídeos, e eu apenas faço essas coisas de modo minimamente satisfatório. Mas eu simplesmente gosto e continuarei fazendo. É quase como terapia... Assim como gosto de aquarela, de pintar telas, de fazer quadrinhos, de escrever histórias. Nossa, como eu gosto de escrever. Durante a minha adolescência, cheguei a cogitar ser jornalista. Eu tirava 10 na aula de redação e já fui selecionada no concurso literário da escola... (Curiosamente nenhum dos meus desenhos foi selecionado).

Acho que meu TCC é a maior prova dessa minha pluralidade... um dia, quando o estava terminando, no final de 2012, eu precisava de um título para ele e meu orientador sugeriu que eu usasse a palavra "independente", afirmando que não importava o que eu fizesse, eu sempre seria independente. E eu realmente fiz muita coisa. Foi só depois que percebi que a definição ia para além do meu trabalho, era sobre mim. Acho que ele me enxergou muito melhor que eu mesma...

Pensando bem, no curso de Artes Visuais tivemos a oportunidade de explorar diversos campos da visualidade, desde teoria das cores até aulas de cerâmica, passando por fotografia, cinema, desenho, pintura, gravura, e até mesmo marcenaria. Nossa!

No meio de tudo isso, é difícil me classificar. Sempre fico confusa quando as pessoas falam que sou uma coisa ou outra, e tenho que dividir meu portfolio por área de interesse (sempre fico perdida). Num mundo onde as pessoas buscam cada vez mais a especialização, ainda sou daquelas que sei um pouco de tudo, e com sorte, sei um pouco mais sobre alguma coisa. Bem, hoje eu posso dizer que sou ilustradora, porque, bem, eu trabalho com isso. É mais fácil assim, mas ao preencher formulários por aí, já escrevi designer, desenhista e outras coisas, porque as pessoas simplesmente não entendem o que eu faço. Uma vez uma mulher veio toda alegre dizendo "nossa, não sabia que você era cartunista! Isso é tão legal!". Eu apenas sorri, pensando comigo mesma, COMO EXPLICAR?

E é claro, quando estamos falando de Vidas Imperfeitas, que agora está sendo publicado por uma grande editora, é comum que as pessoas me nomeiem como quadrinista. Engraçado constatar que em todos esses momentos eu sou uma Mariana diferente. A Mariana que fala com o público numa palestra sobre mangá fala de um jeito, e a Mariana ilustradora fala de outro, tem outras referências... De vez em quando estes papéis se fundem, e as pessoas do meu trabalho reconhecem que eu também faço quadrinhos, e que isso contribui de alguma forma no meu trabalho. Eu gosto de imaginar que "ser plural" torna meu trabalho diferenciado em alguns sentidos (e talvez seja mesmo).

Se por um lado, temos uma gama praticamente infinita de hobbies (falamos de cinema, música, arte, literatura, entretenimento... somos consumidores E criadores de conteúdo) talvez estejamos fadados a essa confusão eterna causada pela necessidade de ser classificado. É tão magnífico quanto é difícil suportar.

E você, também é plural?
Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. olhando por esse lado com certeza!!! kkkkkkkk

    ResponderExcluir
  2. Resumindo: você é Mariana :D
    Gostei muito do texto porque também me vi nele, e apesar de estar terminando minha primeira especialização agora, não me vejo fazendo uma coisa só pro resto da vida. O mundo é tão grande, pra que se limitar? Acho que a vida é isso, sempre mudar, sempre se reinventar.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...