terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Existe a fórmula do sucesso?

(foto tirada do meu instagram)

Durante muito tempo li e busquei informações sobre como viver trabalhando com arte ou quadrinhos. Boa parte das coisas que eu li me ajudaram de alguma forma, outras eram pura baboseira, mas se tem uma coisa que percebi era que as pessoas davam conselhos a partir de suas próprias experiências, e mesmo sendo bastante realistas, não quer dizer que não podemos fazer diferente. E mesmo que repitamos religiosamente as "fórmulas de sucesso" de artistas consagrados, não quer dizer que vamos obter o tal sucesso, afinal, ele depende de tantas coisas... Eu diria que o sucesso é uma mistura de trabalho árduo com sorte (estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas). Mas a sorte não vem pra quem ficar parado, esperando ela simplesmente chegar. Quando estamos em movimento, as nossas probabilidades aumentam em geral, as coisas podem dar tão certo quanto podem dar errado, mas esse é um risco que se corre.

Mas o sucesso é um negócio tão subjetivo que nem sei se essa é a palavra certa. Como artista, o sucesso não é nada sem o reconhecimento. O sucesso é momentâneo, o reconhecimento, duradouro. Você pode estar em alta hoje, em baixa amanhã; pode estar rico hoje e amanhã sua conta está no vermelho. Mas se uma pessoa reconhece o que você faz, dificilmente irá esquecer sua obra. O reconhecimento, por sua vez, é o primeiro passo para ser bem-sucedido no que você faz, mas nada garante que você terá trabalho nos próximos meses nem que será possível "viver de arte". Entende como é complexo?

Como as coisas aconteceram comigo?

Bem, eu provavelmente já estive no seu lugar. Eu já fui uma adolescente sonhadora que ficava me perguntando se era realmente possível trabalhar fazendo o que eu mais gostava e que aparentemente tinha talento: desenhando. Claro que quase ninguém acreditava nisso, a não ser minha professora de Artes da escola. No último ano ela veio conversar com a gente, dando uma dica sobre a área de games que estava muito em alta e buscava muito desenhistas. Mesmo naquele momento, eu achei que não estava preparada, achei que essa realidade era muito distante, afinal, eu tinha que prestar vestibular, cursar uma faculdade, etc, etc. Nesse momento eu já desenhava muita coisa que nunca mostrei pra ninguém ou pra poucos amigos, histórias que nunca saíram da gaveta. Quando digo muito, digo em quantidade. Eu sempre fui uma desenhista compulsiva.

Depois de algumas reviravoltas, eu entrei em Artes Visuais. Estava claro que eu não tinha desistido daquelas perguntas frequentes que tive durante boa parte da minha vida. Eu queria uma chance. Eu queria saber se era possível e apostei as minhas fichas nisso. Foi nessa época também que comecei a produzir o Vidas. Bem, eu tinha muitas coisas a meu favor: meu curso era diurno, mas eu tinha muito tempo livre. E o mais importante: meus pais podiam me sustentar durante a faculdade. Mesmo quando comecei os estágios da vida, eu ainda encontrava tempo pra me dedicar aos quadrinhos. Talvez isso seja considerado sorte, mas eram apenas condições favoráveis. Eu poderia ter criado algo completamente irrelevante. É verdade. Mas eu acho que acreditava tanto no que eu fazia, que não me importava se seria relevante de fato, ou se obteria reconhecimento disso. A maior parte do tempo eu pensava que precisava fazer isso e precisava mostrar pras pessoas. E olha só... as pessoas estavam gostando! Elas queriam ver mais. Eu fiz mais. E por aí vai...

Sinceramente? Acho que tudo poderia ter sido diferente, mas a união de diversos fatores tornou isso possível. O meu reconhecimento.

Mas eu não fiz isso sem quebrar algumas regras. Nem sempre segui os conselhos que recebi sobre meu trabalho, sobre estilo, sobre várias coisas. Às vezes, eu fazia pra mostrar pras pessoas "ah é? Então eu não posso fazer assim? Olha só como eu posso fazer assim. Eu posso o que eu quiser". Então eu fiz do jeito que eu quis e não me arrependo de nada. Foi assim comigo e não quer dizer que precisa ser com outras pessoas. O que eu quero dizer é que não devemos ter medo de fazer as coisas do nosso jeito.

Se devemos ouvir os conselhos de pessoas experientes, que tem propriedade em suas palavras? Com certeza. Temos muito o que aprender com nossos predecessores. Mas devemos aprender também a sermos críticos e a seguir nossos próprios caminhos, aprender com nossos próprios erros e a testar nossos próprios limites. Conselhos devem ser guias e não empecilhos. Gente, o mundo está em constante mudança, e somos nós que mudamos ele com nossas atitudes e também com a nossa arte.

Se existe uma fórmula para o sucesso? Deve existir.

Mas que graça tem a vida seguindo passos pré-definidos que podem nos levar a nada quando podemos nos surpreender na natureza imprevisível de um caminho alternativo? O sucesso é só uma coisa completamente nebulosa que, sei lá, talvez exista no final do túnel... a maior parte do tempo gastamos trilhando esse caminho, então por que não tirar proveito da caminhada?! Por que não parar e olhar aquela paisagem magnífica que não teríamos prestado atenção caso estivéssemos tão focados em apenas alcançar o objetivo final?

Afinal, a vida é aquela coisa que acontece enquanto estamos tentando vivê-la.


Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. texto inspirador TT^TT
    esse ano promete! ò.ó

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    1. que bom que gostou! e tenho boas vibrações pra esse ano ;)

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    2. Viver é complexo demais para existir um mapa ou receita de como fazer isso.
      Texto muito bom. Já penso em escrever matérias? XD
      Eu não tenho muitas esperanças de que algo mude para mim este ano, mas veremos.

      ps: Eu adoraria se você fizesse um retrato da cantora Lorde. Não sou fã e talz, mas acho que seu traço ficaria muito legal. XD

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    3. Já pensei em escrever sim, mas nunca mandei nada pra sites, de qualquer forma mantenho o blog pra estar sempre treinando xD

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  2. O tal caminho para o sucesso é como um guia detonado de jogo. Ele existe e você pode seguir, mas vai perder toda a graça do jogo se o fizer. Eu gostei de saber que você seguiu seus próprios passos, mesmo com pessoas te dizendo o que fazer. Você conseguiu fazer o que queria e não o que os outros queriam. Eu sigo mais ou menos essa filosofia também. Crio minhas histórias por satisfação própria. Alguns gostam, outros me dizem o que eu deveria mudar... Mas se a mudança sugerida não me agradar, eu não mudo. Rsrs. É tudo questão de oportunidade. Quando eu estiver no lugar certo e na hora certa, as coisas andam. Hehe.

    Obrigado pelo belo texto!
    Me inspirou bastante!

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    1. De nada! E que bom que vc se identificou com ele ;)

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