sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Mulher quadrinista?!

Primeiro, descobri que meu possível avô dos quadrinhos morreu há um tempo atrás. Lá se vai um Cagnin que fez história. Eu até li o livro dele pra escrever meu TCC, mas pior mesmo foi ler na reportagem que falava da morte dele escrito "especialista em desenhos infantis (quadrinhos)", deve estar revirando no túmulo até agora =/

Mas sabe o que cansa a minha beleza? A eterna discussão sobre mercado de quadrinhos, do porque não existirem muitas mulheres quadrinistas, e do público ser predominantemente masculino e bla bla bla... (e vocês devem estar sabendo da fala do Maurício sobre isso) ai... para! E mesmo se for verdade, porque sinceramente não sei quais são as estatísticas reais, as pessoas ficam martelando na mesma questão há séculos como se o mundo não estivesse em constante transformação. E de novo, discutir é um erro. Enquanto se perde tempo nessa papagaiada, eu fico na minha, fazendo o que faço de melhor: criando histórias e desenhando quadrinhos. O que basicamente serve pra tudo na vida, porque vivemos nesse mundo onde se fala demais e se faz de menos.

Não se enganem, não estou querendo atacar ninguém, só que eu fico revoltada. Eu vivo independente de todas essas coisas, de todas as discussões cansativas sobre ser mulher, porque bem, eu sou mulher desde sempre, e desde sempre fiz as coisas que eu faço, e se eu me importasse com o que as pessoas acham, talvez nunca tivesse saído do lugar.

Uma hora nas nossas vidas iremos nos deparar com essas questões, é verdade. Como eu me sinto sendo uma mulher quadrinista? Eu sinto, muitas vezes, como se tivesse nascido para fazer isso, mesmo que em outras o trabalho pareça desolador. Mas todos meus motivos são meus motivos, particulares, assim como todas outras mulheres (homens, pessoas, seres humanos, enfim) tem os seus. Não culpo ninguém, nem mesmo as pessoas que inutilmente fazem essa pergunta, esperando por uma verdade universal, e muito menos culpo as pessoas que fazem a tentativa de responder - assim como eu.

Porque acredito, sinceramente, que a melhor resposta que posso dar nesse momento é mostrar tudo o que eu já fiz, não porque isso significa ser uma mulher quadrinista, mas porque tenho alguma coisa para dizer e uma história pra contar. Talvez eu seja uma vítima do sistema, mas me recuso a ser vítima. Eu vou até o limite. E sim, arrisco dizer que muita gente se revolta nesse instante, assim como eu, porque de repente, não basta ser mulher ou ser quadrinista, é preciso se reafirmar.
Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Tenho taaaanta preguiça de gente que fala que a falta da presença feminina (em qualquer área) é porque elas estão muito ocupadas lavando roupa e cozinhando...como se isso fosse a única opção de todas né. Como se todas TIVESSEM que casar, parir uma ninhada e só ai lembrar da carreira, que invariavelmente não poderão perseguir por falta de tempo.

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  2. Sugeri a alguns sites especializados de quadrinhos, uma matéria (ou post) sobre as mulheres brasileiras que publicam no mercado americano pela editora Fitztow. Incluindo a Mariana, mas enfim, não deram atenção à sugestão... Acho q existem menos mulheres no mercado de quadrinhos, simplesmente porque como leitoras, elas também são a minoria... Não devo estar enganado ao dizer que os homens sempre se interessaram mais por esse mundo nerd, a cultura pop: quadrinhos, videogames, etc. - Só para curiosidade, a americana Marge, criadora de Luluzinha e Bolinha, é considerada uma pioneira do sexo feminino na profissão de cartunista, e seus personagens continuam fazendo sucesso até o dia de hoje, prova do poder da mulher nessa profissão! Jefferson Leite

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  3. É uma pena, mas as próprias pessoas ficam perpertuando isso, acho que é o erro das grandes mídias, porque no fundo (e por trás das câmeras) existem muitas mulheres trabalhando no meio e conquistando seu espaço.

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