sábado, 20 de julho de 2013

Uma side-story do Diego

Peguei umas coisas antigas que tinha escrito e dei uma reescrita, adaptando para os moldes da side-story que postei sobre o Daniel. Espero que gostem dessa. Eu particularmente gostei muito de escrever. Tem algumas coisas sobre o Diego que não aparecem no Vidas, e eu pretendo me aprofundar mais na história do personagem. Bom, espero que gostem! ;D


Uma side-story do Diego


"Eu sempre soube quem ela era. Não precisei de muito para descobrir que ela vivia em seu próprio mundo, como uma garotinha. Ela iria crescer e ainda assim, essa parte dela permaneceria. O que eu poderia esperar de alguém que via sua vida acontecer dentro de sua cabeça, ignorando todo o resto...?
Mas eu gostava de observá-la, havia algo sobrenatural sobre ela. Ela não precisava dizer nada. A maior parte do tempo, eu não estava ouvindo. Coisas sobre o dia chuvoso, sobre o jogo que ela venceu na escola, ou como ela fez o nariz de alguém sangrar... coisas assim. Como eu disse, eu não estava prestando atenção. Muitas coisas ocupavam a minha cabeça."

-Ei cara, você toca rápido demais – Jay era o guitarrista da banda.
-Foi mal, é a força do hábito – Diego respondeu, sem se sentir culpado por isso.
-Então, você tocava no “Shades” né? – Ele conheceu Pedro na época que ele ainda tinha cabelo, e usava mullets. Agora ele tinha uma tentativa de moicano.
-Cara, o que você fez com seu cabelo, afinal?
-Eu sei, né? Ta muito curto ainda pra um moicano...
Pedro não parecia gostar muito do Diego no começo. Era algo sobre o baixista do Shades – sua antiga banda - ter ‘pego ele na saída’ da escola. Ele não soube muito sobre a briga, mas no final, sempre acreditou que Pedro não gostava dele porque também fazia parte da banda. Mas Diego tinha uma boa impressão sobre ele. Ele era um cara centrado, assim como ele, ao contrário do Jay... Jay estava sempre nas festas.
-Olha cara, vou passar na sua casa as dez, beleza?
-Pra?
-A gente TEM que ir naquela festa. Escuta, Diego... você também anda muito noiado. Vou arranjar umas garotas pra você.
-Não, obrigado.
-Você tem namorada ou algo assim?
-Não.
-Isso é deprimente, cara.
O que era mais deprimente? Pegar todas as garotas bêbadas que ficavam no seu pé, se preocupar com o que elas estão dizendo – o tempo todo – esperando que alguma delas dê o sinal verde? Ah, por favor...
O real motivo pelo qual decidiu ir à festa, porém, era mais complicado do que seus amigos acreditavam. Mas não era algo que ele ficava espalhando por aí. Era mais fácil lidar com tudo aquilo se fingisse que nada daquilo existia.
Antes de sair de casa, decidiu tocar um pouco, para relaxar. Sua irmã mais nova, Vivian, parou na porta do quarto, curiosa.
-Faz tempo que não te ouço tocar... você nunca mais tocou em casa.
-Isso é porque a mamãe não está em casa e não pode reclamar do “barulho”.
Vivian riu e sentou-se ao seu lado.
-Olha, você quer ir nessa festa... – Diego começou.
-Festa?
-É, talvez você... se sinta melhor.
-Você ta mesmo me convidando, Di? Pra conhecer seus amigos?
-Eu não tenho amigos.
Vivian levantou e começou a bater palminhas de felicidade.
-Você é um bom irmão, Di. Mesmo que seja difícil acreditar.
-Eu só quero parar de dividir o quarto com você. Quando será que vai terminar aquela reforma?
Vivian saiu correndo pela casa, falando coisas que não podia entender inteiramente. Diego pensou que seria uma boa ideia que a irmã saísse um pouco de casa. Ele bem sabia que garotas naquela idade tinham muitos complexos e estava cansado de ouvi-la reclamar pelos cantos que estava muito gorda e que nunca arranjaria um namorado assim. Pensou que talvez ela fosse muito nova para todas essas coisas, mas quem era ele para dizer qualquer coisa? Ele, que tinha fugido de casa aos 13 anos e que começou a tocar numa banda de black metal. Não queria que sua irmã passasse pelas mesmas coisas.
Jay não ligou antes de aparecer na porta de casa, ele era um cara bem insistente. Vivian correu pelo corredor gritando.
-Mas Diiiiiiiiii, eu ainda não estou pronta! – Ela estava segurando algum aparelho desses de alisar o cabelo.
-Você parece pronta pra mim.
-Você acha? – Ela se olhou no espelho e ajeitou a franja.
Foram até o carro. Juno esperava no banco de trás acenando para Vivian. Jay começou a contar uma história aparentemente engraçada, mas Diego só conseguia prestar atenção na conversa que acontecia no banco de trás.
-Hey, eu sou a Juno! E você é....
-Vivian. Sou irmã do Di.
-Ah! Então você é a irmã dele! Haha – A voz dela parecia de alívio – Vocês são tão diferentes...
-Sempre ouço isso.
-JAY SERÁ QUE VOCÊ PODE DIRIGIR COMO GENTE? – Juno gritou colocando o rosto entre os bancos da frente – Você é estúpido? Ninguém quer morrer aqui!
Depois Diego percebeu que o carro tinha freado abruptamente, quase atropelando um cachorro.
-Eu não ia matar um cachorro!!!! – Ele respondeu, e eles começaram a brigar. Vivian parecia se divertir com aquilo.
Quando chegaram, Vivian reconheceu algumas pessoas de sua sala, o irmão supôs, e definitivamente sumiu. Ele estava pronto para sumir ele mesmo, depois de caminhar por alguns segundos pela festa, quando foi abordado por alguma fã da banda.
-Eeeeeeeiiiiii! Eu conheço você! – Ela estava obviamente bêbada.
-Hey.
A garota deu mais um gole de sua bebida e ficou mirando-o da cabeça aos pés.
-Eu conheço você? – Ela balançou a cabeça respondendo que sim, como se fosse muito óbvio.
Ela ficou mais um tempo o fitando, como se ele fosse algum tipo de experimento.
-Olha, se não vai dizer mais nada, porque não dá meia volta e dá o fora?
-Ouch.
-Então?
A garota jogou o copo que segurava para o lado e estendeu seus braços sobre o ombro dele; suas mãos se fecharam em sua nuca. Ela teve o cuidado de apertar bem seu corpo no dele. Diego não moveu um músculo sequer, meio aturdido pelo súbito ataque.
-Você não vai me beijar? – Isso parecia tão óbvio?
Ela continuou esfregando seu corpo contra o dele. Seu rosto vermelho do álcool, ou seja lá o que fosse. Estava escuro, mas Diego notou que ela parecia ser ao menos bonitinha. Vestia uma mini saia apertada... Já que ela estava bêbada, que mal tinha em se aproveitar um pouco? Ela já estava toda em cima dele mesmo...
Quando Diego achou que estava finalmente conseguindo alguma coisa ali, ela desmaiou subitamente. Ficou caída em cima dele, babando. Ele tinha quase se esquecido de como tudo aquilo era mesmo deprimente.
-... E então, eu tava lá e tinha aquele cachorro enooooorme, devia ser um pitibul, sei lá.... – Era uma voz conhecida se aproximando.
-E aí, o que você fez?
Diego estava sentado, só escutando, perto de algumas árvores que faziam sombra, mas ele tinha certeza de que o veriam se se aproximassem o suficiente.
-... eu só corri pra caralho!! Nem olhei pra trás!!! Nem sei como consegui pular a cerca de volta sem aquele bixo me pegar! Mas foi muito louco!!! – Juno ainda estava contando alguma de suas peripécias.
-É, eu te falei. Aquele cara é louco, ele deve treinar os cachorros pra atacar as pessoas.
-Doentio...
-Ei, aquele não é o cara que você tava falando antes, Juno?
Então ele viu mais claramente o rosto das garotas que estavam conversando no jardim. Eram três ou quarto, incluindo a Juno. Quando ela olhou para ele, seus olhos relampejaram. Ela sussurrou alguma coisa pras amigas e depois veio sozinha em sua direção.
-Ela está bem? – Juno perguntou apontando para a garota caída em seu colo.
-Não sei.
-Ah... Quer que eu chame alguém?
-Não se preocupe.
-Sabe, é exatamente assim que os boatos acontecem. As pessoas te encontram numa situação estranha, não entendem, e saem falando qualquer coisa estúpida que vem a mente.
Diego a fitou um pouco confuso.
-Eu sei disso! - Ela completou, achando que seu comentário poderia ter sido muito estranho – Eu sei disso porque acontece o tempo todo comigo, as pessoas vivem falando coisas absurdas sobre mim, sabe... é... muito chato.
-Tenho certeza de que você lida muito bem com tudo isso – Ele disse em tom de escárnio, empurrando a garota desmaiada para o lado.
Juno apenas sorriu, coçando a cabeça e depois deu meia volta. Deu uma corridinha, alcançando as outras amigas e então foram pro meio da multidão novamente. O jeito que ela olhava pra ele, era como se ela quisesse dizer alguma coisa. Algo que não se diz em palavras. Mas ele deixou para lá... Garotas eram complicadas demais.


-Eu não acredito que você pegou a Serrano.
-Quem? – Diego perguntou sem entender. Jay tinha um brilho estranho no olhar.
-A Serrano? Gostosa? Loira? Rica? Vamooooos...
-Você está falando sobre uma garota completamente bêbada que desmaiou em cima de mim depois de alguns minutos?
-Cara, a mina tava muuuuuuuuuuito louca. Você já tinha ido embora e ela apareceu dizendo que tinha ficado com você. Aí ela vomitou, foi parar no hospital...
Ele ficou parado, se perguntando onde aquela conversa ia dar. Então Jay apoiou o braço por trás dos seus ombros.
-Muito bom, cara... parabéns, tô orgulhoso.
-Cala a boca, eu mal beijei aquela menina.
-Claro, claro...
Era mais fácil acreditar numa garota completamente insana do que em seu amigo? Não, ele não precisava daquilo.
Garotas nunca tinham entrado na sua vida, pra dizer a verdade. Elas poderiam ter feito parte de algum momento, como numa maneira de satisfazer algum desejo. Mas nunca ficaram, nunca. Algumas pessoas poderiam achar que isso era triste, mas para ele era simplesmente natural.
Mas, quando Diego achava que nada poderia lhe atingir numa manhã de sábado enquanto ensaiava com a banda, lá estava ela. Servindo alguns lanches. Falava como uma matraca. Sorria, colocava o cabelo para trás. Ele queria que ela o ignorasse, mas no final, ela sempre aproveitava quando Jay não estava olhando para se aproximar.
-Você mandou a Serrano pro hospital, sabia?
-Eu fiquei sabendo.
E lá estava ela, comentando sobre coisas irrelevantes só para manter contato. Não era pra ela estar se sentindo mal, depois de tê-lo visto com outra garota num lugar escuro e escondido? – ou quase isso. Mas não, ela sorria... como se nada mais importasse a não ser aquele momento, nem mesmo se ele prestava atenção ou não.
-Aquele não é o cara dos pitibuls? – Diego perguntou olhando pelo portão da casa. Um velho mal encarado passava na rua com meia dúzia de cachorros ferozes, presos pela focinheira.
Juno olhou para a rua e se virou meio perplexa.
-Você estava... ouvindo? – Ela se fingiu insultada.
-Eu posso ter ouvido que você brigou com todos os cachorros ao mesmo tempo e ganhou uma cicatriz enorme na perna – Ele respondeu, parecendo convincente.
-E é assim que os boatos são criados... - Ela revirou os olhos.
Talvez Diego tivesse sorrido naquela hora, porque os olhos de Juno brilharam de surpresa. Por que ele prestava tanta atenção aos mínimos detalhes sobre ela? Ele poderia deixar para lá... mas ela sempre estava lá. Ela era meio que... interessante...
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Agora sabemos como começou o interesse dele pela Juno! Muito legal a história, vc realmente escreve bem, acho a sua narrativa simples, mas ao mesmo tempo profunda, dá pra se ter uma boa ideia dos personagens pelas descrições q vc faz.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada =)
      Queria muito contar esse lado do Diego que não aparece na história oficial..

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...