sábado, 20 de julho de 2013

Uma side-story do Daniel

Hoje eu decidi escrever um pouquinho. Decidi que precisava escrever algumas coisinhas sobre os personagens, mesmo que curtinhas. Quem já conhece a história vai perceber em que momento este trecho se passa. Por favor, comentem! Se você gostarem, faço mais desse tipo de side-story! =)



                Uma side-story do Daniel

   Era uma noite fria de inverno e o ar estava tomando pelo atordoante cheiro de queimado. Os jovens estavam reunidos em volta de uma fogueira, conversando e rindo e contando histórias. A clareira era extensa e as barracas estavam montadas ao longo dela, deviam ser umas oito barracas ao todo. Mais para frente, além das árvores, porém, havia uma outra fonte de luz, ela podia ver... Parecia uma outra fogueira, com suas faíscas brilhando no meio da escuridão. Caminhou até lá e encontrou exatamente o que queria.
   -O que você está fazendo aqui? - Perguntou com a voz meio rouca, quebrada, temerosa.
   Daniel se virou, observando-a com o olhar carregado. Depois voltou o olhar para a lixeira de metal que agora ardia em chamas.
   -O que... você está botando fogo em quê?
   -Não importa – Ele respondeu, sem desviar o olhos da lixeira.
   Ela se aproximou devagar.
   -Ah, importa sim.
   Ele se virou, indiferente.
   -O que você quer?
   -Aquele foi um ótimo jogo! - Ela tentou se desviar do assunto – Você foi ótimo, para variar... e aquele último gol, nossa! Foi demais... se não fosse você... - A garota tentou se desvencilhar daquele olhar cortante e descontrair a conversa mas percebeu que estava perdendo o controle. Passou a mão pelos cabelos, afim de tentar esconder o rosto.
   Ela esperou por alguma reação dele, mas ele apenas continuou ali, fitando-a com uma indiferença que doía na sua alma. Ele não a notava de modo algum? Aquilo era muito deprimente. Recompôs-se.
   -Bem, se não fosse você, o time estaria no buraco. Esta é a verdade.
   Ele respirou fundo e se virou novamente para a lixeira.
   -São as minhas chuteiras. Estou botando fogo nas minhas chuteiras. Cansei disso tudo. Eu não sou tão bom assim, e isso aqui... - chutou a lixeira de leve - isso aqui não serve pra nada.
   Ela não sabia o que dizer. Aquilo a pegou de surpresa. Ela sempre quis acreditar que Daniel seria um jogador famoso, que teria tudo. Afinal, ele era mesmo incrível. O cheiro de queimado era forte e começou a deixá-la com tontura.
   -Eu...
   -Lu, o que você quer, sabe? Se quiser, posso ficar com você e fingir que gosto de você, mas seria mentira. Eu sei disso e você sabe disso. Você é divertida e uma ótima amiga, mas não posso gostar de você do jeito que espera...
   -Não! Eu não espero nada... Não tem nada a ver... - Luisa queria acreditar que não, pelo seu próprio bem, mas no fundo sabia que era impossível. Ela esperava demais.
   Ele a fitou com aquele ar de desconfiança, como se não acreditasse nela tanto quanto ela mesma.
   -Lu, não faça isso com si mesma.
   -Você é um cara legal, eu sei que não me magoaria. Eu sei disso.
   Ele riu, de um jeito debochado, de um jeito que ela ainda não conhecia, mas que a fazia arder por dentro.
   Já estava tão tonta que não viu direito como aquilo aconteceu. Daniel estava lá, uma hora com a maior indiferença do planeta, e na outra, andava em sua direção, tão certo, tão... decidido. Ela deu um passo para trás e tropeçou. Apoiou-se no galho mais próximo, mas era tarde demais. Daniel a empurrou contra a árvore e a beijou.
   Primeiro, seus lábios apenas se encontraram. Luisa nem podia acreditar... aquilo estava mesmo acontecendo? Mas estava realmente muito quente, por causa das chuteiras que queimavam tão próximo e aquele cheiro e as luzes...
Suas bocas se afastaram por um momento e Luisa pôde recuperar o ar, mas não por muito tempo. Logo a língua dele estava invadindo sua boca e ela não podia mais se controlar. As mãos dele se enroscavam em seus cabelos, apertavam suas costas, sua cintura e a empurravam para mais perto dele. As mãos dele estavam em todo lugar.
   Não sabia quanto tempo havia durado, mas parecia muito pouco tempo para que ele parasse, assim, tão subitamente. Luisa inclinou sua cabeça para frente e percebeu que encontrou o nada. Abriu os olhos devagar, assustada. O que encontrou foi um olhar duro e sentencioso. Por quê?
   Aos poucos, ele foi se afastando, para a agonia dela. Não! Daniel, então, desviou o olhar e colocou as costas da mão sobre a boca. Não, não, não!
   -Dani!
   -Você sabe que não posso fazer isso, Luisa. Você não precisa disso... de ter o pior de mim. Você não merece isso.
   -Do que você está falando?
   Pela primeira vez, sentiu uma sinceridade latente vindo dele, um olhar de tristeza, de mágoa, de várias coisas juntas, e percebeu que tinha alguma coisa acontecendo com ele.
   -Estou desistindo do futebol, Lu. Da coisa coisa que eu mais gostava de fazer. Estou desistindo porque... não vejo mais sentido nisso. Não vejo mais sentido em nada. Meu pai foi embora e deixou minha mãe sozinha. Ela está enlouquecendo e me enlouquecendo. Meu pai foi embora e não existe nada que eu possa fazer quanto a isso. Estou cansado...
   Luisa se aproximou e o abraçou. Percebeu o quanto ele era alto porque sua cabeça se encaixava perfeitamente entre o queixo e o peito dele. Percebeu que todos aqueles sentimentos que a corroíam eram nada comparado ao que ele devia estar sentindo naquele momento. E que ele realmente precisava de uma amiga. Ela podia fazer isso, mesmo que doesse.
   -Desculpe...
   -Ah, Dani, pára com isso... Eu sou sua amiga, afinal de contas. E eu prefiro... ser sua amiga... do que ser nada. Sabe?
   Ele a abraçou de volta. Apertado. Luisa não conseguiu conter uma lágrima fugitiva.
   -Vai ficar tudo bem.
   Ela se afastou e apoiou as mãos sobre os ombros dele, separando-os com seus braços. Ela não sabia até onde poderia aguentar. Ela gostava dele há tanto tempo. Gostava dele mesmo antes de conseguir admitir para si mesma, o que aconteceu há mais ou menos um ano. E desde então decidiu que tentaria ser mais que sua amiga. Nunca conseguiu a oportunidade perfeita para tentar, porém. E aquele era O dia. Era o dia perfeito. Ou pelo menos seria...
   Ele sorriu um sorriso que ela também não conhecia, o sorriso mais gostoso e aliviado do mundo.
   -Você merece um cara melhor, Lu. Ele deve estar por aí, e qualquer dia você vai encontrar ele.
   -Ah, é mesmo? E quem você acha que te merece?
   -Não sei – ele riu, divertido – Uma garota muito louca, provavelmente...
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