terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Pra você que leu a quarta edição!

Aviso: Pode conter spoilers (principalmente pra quem não leu a quarta edição).





Hehe... eu fico me divertindo sozinha mesmo...

Mas todos já devem saber o quanto eu gosto de falar sobre as minhas coisas, principalmente as coisas que eu gosto! Por isso, não podia deixar de fazer alguns comentários sobre essa quarta edição, que é a minha preferida até agora!

Eu montei essa enquete no blog pra saber qual era a opinião de vocês, leitores. Pelo jeito, a maioria prefere a quarta edição também, mas uma parte também gosta da primeira. A primeira tem algo especial, a finalização a lápis na arte, e no roteiro, temos o começo de tudo, do encontro da Juno com o Daniel; algo "mágico" por assim dizer. A magia vai se desfazendo ao longo da série, e a quarta edição é seu ponto culminante. É onde tudo desaba. É onde o passado se abre, e você vê que tudo está longe de ser perfeito.

Alguns sentem falta do romance que estava bem presente nas duas primeiras edições. Bem, não tem o que fazer, apesar de eu gostar de romance, de escrever romances, uma história precisa ter desenvolvimento, e eu sempre procuro deixa-la realista, afinal, ninguém tem uma vida 100% de romance.


Vocês chegaram a reparar no cabelo da Juno durante o flashback dela? Além de ter um comprimento menor e a franja curta, a parte inferior dele é descolorida! Isso me lembra muito a minha própria adolescência, porque isso tava na moda (pintar as pontas do cabelo de rosa também). Achei interessante essa mudança. Quer dizer, ela foi uma adolescente "típica" até os 15 anos, quando tudo mudou, e ela se tornou muito mais agressiva do que já era.

O Daniel também aparece com o cabelo diferente, como eu tinha dito que faria para esta edição. Tenho sérios problemas com meus personagens masculinos, porque eles são sempre meu tipo ideal. ^^' Ele ficou um pouco de fora nessa edição, mas aparece no final juntamente de seu arqui-inimigo Diego, numa cena que deu gosto de fazer! Hahaha...






Falando em Diego, chegaram a dizer que a quarta edição foi uma espécie de "fan service" dele.. hahahah. Gente, o Diego tem relações extremas com os leitores da série. Ou ele é muito amado, ou muito odiado, cada um com suas razões. Mas ele é sempre a mesma pessoa durante a série inteira, no tempo "atual" e nos "flashbacks", ele é sempre aquele cara debochado e frio. Pra mim, ele é uma peça chave da trama, e apesar de sua personalidade marcante, suas reações são imprevisíveis. Não vou falar mais nada, ou isto se tornará um spoiler sério da história. (Repararam que o cabelo do Diego é mais longo no flashback? Ele tinha acabado de sair de uma banda de black metal).







Norah: traída ou traidora? Mais uma descontrução da trama, mostrando a complexidade da estrutura familiar. Pra quem leu a side-story "Norah", sabe do que eu estou falando. A reprimida mãe da Juno, sempre antes vista como a vítima da situação, não é assim tão santinha. Mas é isso mesmo, ninguém é completamente bom ou completamente mal. Somos todos postos diante da vida, e seguimos caminhos variados.






Senti falta de desenhar o Jay, porque com ele, sempre vêm momentos hilários, seja por causa do seu ciúme da Juno, ou porque ele é simplesmente sem noção. Mas uma coisa que me doeu no coração não ter dado mais espaço foi pra Suzana. Ela é a melhor amiga, ok. E eu foquei mais na amizade da Juno com as duas meninas que aparecem no flashback, a Gabriela e a Monica. Mil perdões! Acho que essa foi a parte que mais pequei *bate a cabeça na parede*. Mas não se preocupem, eu me redimi na quinta edição que vai ter muito mais sobre a amizade dela com a Juno!

Falando em Monica... acabou surgindo em pauta um tema bem sério e (infelizmente) muito recorrente na nossa sociedade, que é o abuso sexual. Surgiram milhões de discussões entre eu e aqueles-que-leem-meu-roteiro-e-comentam sobre essa parte, que acabou ficando séria demais para a minha história. Bem, não sei tratar de outra forma a não ser assim. É algo repugnante, mas que acontece, mesmo nas melhores famílias. E fiquei pensando: como uma adolescente com problemas com os próprios pais pode reagir a uma situação dessas? Não é pra menos que a Juno é quem ela é.





E o que eu posso dizer sobre a súbita relação entre os supostos vilões da história? "Vilão" pra mim é uma palavra estranha, que sempre associo a "super heróis". Um super herói tem sempre um vilão, certo? (Lembro da animação 'Megamente' que tem essa premissa como idéia principal). Por um momento, as pessoas podem associar a imagem da Juno com a de uma heroína, porque ela tem muitas qualidades que a identificam (coragem, força, senso de justiça, etc..). Mas no fundo, no fundo, não é bem assim. Por isso, não acho que existam vilões na minha história, mas pessoas que são postas a frente do personagem, que o provocam de alguma maneira, principalmente em situações de provação. E, bem... é isso o que acontece.

De alguma forma, me sinto satisfeita. Sinto que fiz o máximo que pude dentro de minhas próprias limitações. Sinto estar mais perto do meu desejo como escritora. O roteiro e a narrativa são muito importantes pra mim, mais importantes até que o desenho. Prefiro a idéia de que as pessoas lembrem de mim pelas minhas idéias e conceitos, pela mensagem que tento passar, pelas minhas histórias. Como eu disse na abertura dessa edição: Quadrinhos são apenas um meio.

Me desculpem por falar demais sobre esse tema. Eu senti que deveria esclarecer algumas coisas, e até mesmo gerar algum tipo de discussão, se fosse o caso. Muitos lêem, comentam, mas são poucos que chegam a tocar nos detalhes, e eu fico pensando se eles 'captaram' a minha mensagem ou não. Bah! Eu viajo, eu sei... Mas se eu não falar nada aqui, que é o blog do fanzine, não terei outro lugar mais adequado.

Só pra constar, estou aproveitando o resto de férias para trabalhar na quinta edição, e eu pretendo terminar a série nesse ano, juntamente com a edição especial! /o/

Cara, me desejem sorte!!


Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. Cheguei a ler sua historia quando ainda tava no DA, e vc mudou bastante coisa. Realmente a relaçao do Daniel e da Juno parece ter tomado outra direçao, e as pessoas nao sao exatamente o que parecem. Acho que como vc esta envolvida a tres anos com essa historia, as coisas tem mais liga na sua mente, mas em quatro volumes nos que estamos apenas observando nao conseguimos captar tao facilmente a essencia de cada personagem. (pelo menos eu). Desenhar os quadros eh um trabalho enorme, nao eh possivel fazer muito mais do que as 40 pag. que vc normalmente faz, inclusive devido ao publico e ao formato da publicaçao. Acho que se Vidas Imperfeitas fosse uma narrativa apenas escrita, seria possivel desenvolver melhor os personagens como vc disse nao ter espaço pra fazer. Admiro sua dedicaçao em desenhar tantos quadros com tanta paixao. uem sabe um dia vc nao divulgue essa historia por escrito? =D Com certeza seria muito interessante ter mais detalhes, principalmente sobre os pensamentos dos personagens e tals.
    Força com a quinta ediçao!!

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  2. Ah sim, espero que vc tenha entendido o que eu quis dizer...acho que voce tira ao maximo do que pode com os quadrinhos, quando digo que como observadora nao consigo ver tao claramente a essencia do personagem, nao digo que seja por falha sua, de maneira nehuma. Acho que voce faz o melhor que poderia fazer com esse meio!

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  3. Eu gosto da sua história exatamente pela forma como ela é contada. Adoro sua arte, mas até começar a ler mesmo a série toda (de uma vez só, inclusive) eu não tinha noção que a história era tão complexa. Eu só posso lhe dar os parabéns e pedir para que não desanime e termine seu zine pra gente! =D

    Falando nisso, qual é a previsão de encerramento? Serão quantos capítulos?

    PS: Eu lembro das meninas da minha idade aos 15 com o cabelo daquele jeito... hahaha =P

    PS2: o Diego me lembra muito um amigo meu do Black Metal... =P³²

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  4. Eu gosto do Vidas Imperfeitas justamente pelo conteúdo. Claro que seu traço é belíssimo, mas se fosse só pelo traço, teria gostado também de muitas tentativas de mangá por aí, e não é o que acontece.

    Gosto da reflexão que ele provoca, geralmente gosto muito de quadrinhos complexos, principalmente quando propõe a problematizar uma característica humana comum. No seu caso, a imperfeição.

    E outra das coisas que me fizeram gostar muito foi justamente não colocar o romance como se a vida da Juno girasse em torno disso, pelo contrário: nós vemos o relacionamento dela com o pai, a mãe, o irmão, amigos, amores todos recebendo atenção de vários ângulos. Pra mim, isso só enriquece sua narrativa.

    Às vezes fico com medo de tantas adolescente curtindo histórias como "Crepúsculo", pois a personagem principal passa o efeito ideal de que a garota só vive com e para o tal cara.

    Uma autora que problematizou esse tipo de personagem muito bem foi a Ai Yazawa, com a Nana "Hachi", onde ela mostra as consequencias de uma garota só ter isso em mente.( e mesmo assim eu amo a Hachi).

    Tô fugindo do tema, mas é que eu adoro comentar outros personagens e histórias também.(rsrs)
    Uma série que eu tou acompanhando só agora que lembra tua proposta é "Sunadokei-o relógio de areia", ela retrata uma coisa muito humana que é o efeito do tempo nas pessoas e seus relacionamentos. Mostra um lado de imperfeição da gente também, mas problematizando coisas como o distanciamento, a mudança das relações, arrependimentos, erros, o desejo de durar pra sempre e a dor de algo acabar.

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  5. Bem, não gosto de ficar comentando posts "antigos"... mas, como você pediu, vamos lá... fazer um comentário caprichado! ;D

    O início do post ficou ótimo... hehehe... ótima sátira! "Eu odeio ela..."... demais!

    Enfim, vamos lá! Eu sou um dos leitores que realmente ama a primeira edição. Já te falei isso. Todo aquele início de romance entre a Juno e o Daniel, ficou muito contagiante! Mas, realmente, ao chegar na quarta edição, temos aquele gosto de sentir os personagens, de saber como eles realmente são, sentir vida nos mesmos. O mais interessante é que eles mudam. Pode parecer simples, mas a mudança no visual do Daniel faz toda a diferença! Principalmente porque você aborda essa mudança, mostra quais as reações causadas por ela. Como falei, é algo simples, mas é só a ponta do iceberg, digamos assim.

    O flashback também ficou bacana. É óbvio que reparei no cabelo da Juno, e digo que, além da aparência, você conseguiu retratar uma Juno mais jovem, imatura, talvez... enfim, deu para notar bem que a Juno que estava sendo retratada era uma Juno diferente da qual conhecemos. Isso é fantástico, sabia? Agora, Diego e Juno... esse é um caso difícil para mim. Desde a segunda edição, quando os dois aparecem juntos em uma cena, fico pensando "Não vá fazer besteira, menina!"... como te falei antes, consigo sentir o cíumes que o Daniel deve sentir, afinal, o romance entre os dois é tão bonito! Enfim, como você mesmo disse... eu devo estar no time dos que odeiam muito o Diego... XD ... brincadeira... eu gosto dele, como personagem, mas a ameaça que ele representa não me agrada em nada.

    Arte bacana... nem preciso comentar. Embora eu gostasse bastante da sua finalização nas duas primeiras edições, me acostumei e aprendi a gostar da retícula sem reclamar.

    O único porém dessa quarta edição foi que eu achei que a trama apresentada nela poderia se esticar um pouco mais, talvez em até outras edições, justamente para se mostrar mais presente na vida de Juno e dos demais personagens. Você aprensentou o início desse "novo" problema de Juno no final da terceira edição e, aparentemente, tratou apenas sobre ele na quarta, já finalizando-o. Achei que foi muito rápido. A história envolvendo a Gabriela e a Monica não teve muito tempo para ser apresentada e acho que perdeu um pouco do impacto que poderia causar. É a minha opinião, claro. E eu tenho a impressão de que a quinta edição mudará essa minha opinião, pois mostrará que, na verdade, a trama não foi fechada. Confio em você!

    Por falar em fechar trama... a previsão de encerramento é de seis volumes, não é? ToT Não quero ficar órfão de Vidas Imperfeitas... mas, se for para encerrar em seis edições, sei que o que vem por aí será ainda mais caprichado que o começo. Me faça chorar, certo? Se eu choro é porque, normalmente, a história é boa. Hehehe... XD (Pode ser choro de alegria, também! Não precisa fazer uma tragédia, também! ^^')

    Olha, não acho que o tema "abuso sexual" tenha ficado sério demais para a sua história! Eu o abordaria ainda mais! É isso que faz da obra o que o título sugere! As vidas são imperfeitas por causa dessas coisas... temos de aceitar que coisas assim estão presentes à nossa volta! Agora, quanto às suas referências... senti um pouco do filme Garotas sem Rumo (Havoc) nessa edição, principalmente com o tema tratado. Estou certo?

    Para finalizar, comento sobre como você começou a edição... a abertura ficou ótima. Quadrinhos são apenas um meio. Com certeza. E pode se sentir satisfeita, porque o meio está funcionando muito bem, embora ele não tenha sido o principal. Sua história tem força, tem vida. Vidas Imperfeitas já faz parte de minha vida. E garanto que não estou sozinho quando falo isso.

    Um beijão, Mary! Espero que meu comentário lhe seja útil! E pode deixar que em breve ele estará presente lá no Quaquié?!... mas claro que não desse tamanho. ^^' Um forte abraço e continue com o excelente trabalho! ^^

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  6. Tio Fê: Seu post me deixou emocionada!! ahaha Sério, é porque como leitora me identifiquei com vc!! Eu tbm classifico histórias pela intensidade e se me fazem chorar! Se me faz chorar, já é um grande passo pra eu gostar! Engraçado isso, né?
    Bom, eu fiquei feliz com os seus super comentários, eu adoro isso e de jeito nenhum acho chato pq leva muito tempo pra ler! Ainda mais de pessoas que sabem o que estão falando, e não estão criticando apenas por criticar. Dá pra perceber quando a pessoa lê mas não se prende só no que é apresentado em primeiro plano, mas consegue ver a mensagem. Acho isso muito legal, e em geral tento "provocar" essa sensação nos leitores.
    Posso adiantar que o tema central da quarta edição ainda não foi completamente encerrado, apesar da maior parte estar nesta edição. Acredito que seja uma coisa que vai se arrastar na vida da Juno durante muito tempo (pelo menos até q ultima edição), como tem sido até hoje, porque causou marcas profundas. Claro que algumas questões precisam de ponto final pq pretendo fechar um arco da história em 6 volumes, pra que não fique aquela sensação de uma "série inacabada".
    Eu espero sinceramente te fazer chorar. Pode parecer estúpido mas eu chorei algumas vezes escrevendo o roteiro... se bem que não posso levar isso em consideração hahaha! Também não leve isso como uma expectativa minha, é claro! Mesmo se você não chorar, acredito que valeu a pena ter escrito e desenhado essa história e tocado tantas pessoas com ela.
    Bom, eu poderia ficar falando sobre isso pra sempre, mas deixemos isso tudo para uma hora mais oportuna. Quando eu finalmente terminar a série, talvez, aí eu poderei ser sincera e ouvir opiniões mais completas =)
    Obrigada pela atenção e o texto enorme!!! xD

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