quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O que eu posso dizer sobre 'roteiro'

A pedidos [foi só um pedido] decidi falar sobre roteiro.

Primeiramente, gostaria de destacar que, como a palavra surgere, um roteiro é um guia; e sendo guia ele tem o objetivo de dar diretrizes sobre determinada coisa. Todo mundo sabe também que um guia depende de quem escreve, porque cada um prefere organizar assuntos de um jeito. Por isso, existem praticamente infinitos jeitos de escrever um roteiro, você só precisa encontrar aquele que é melhor para você.

Claro que existem as formas fixas de roteiro, para aqueles que trabalham no ramo, o que facilita a comunicação entre as partes. Quando se trata de quadrinhos, o roteirista entrega o roteiro ao desenhista, que precisa entender perfeitamente o que o roteirsta deseja. No geral, os roteiristas escrevem sua história de forma narrativa, para organizar suas idéias e só depois as organizam em páginas e quadros (o que inclui as falas). Pra quem quiser mais detalhes sobre a criação de roteiros eu sugiro esse blog: ZAPHQ

Enfim, isso é o que posso falar sobre roteiros num âmbito geral, porque nem eu sou especialista no assunto. Posso até dizer que meus roteiros são peculiares, mas é apenas a minha forma de me organizar, já que eu sou a própria desenhista dos meus roteiros, então eu não preciso me preocupar muito com isso. Gosto de descrever as cenas como as imagino, seguido de um esboço bem simples, para não esquecer depois. Descrevo como cada quadro deve ser, a posição dos personagens, suas expressões, onde vão ser colocados os balões, cenários e etc. Como estou trabalhando há bastante tempo nesse fanzine, não preciso reescrever cada parte em forma de narração. No meu caso seria perda de tempo. Acredito que isso aconteça porque o fanzine começou numa "cagada" que acabou dando certo. Se eu tivesse começado certinho, talvez tudo fosse diferente. Ás vezes, cagadas são muito boas e a gente aprende bastante com elas!

Vou colar aqui o roteiro de algumas páginas e suas respectivas páginas finalizadas, só para vocês terem uma idéia:

Página 8

Quadro 1 – O sinal toca, e os corredores ficam abarrotados de alunos.
Quadro 2 – Suzana e Daniel estão olhando por uma janela grande no corredor. A janela dá para o pátio da escola, e Juno está sentada num banco, sozinha, lendo.
Quadro 3 – Close nos rostos deles, e entre os rostos dá pra ver a Juno mais de perto.
Suzana: Ela anda tão distante esses dias...
Daniel: Deve ser alguma coisa que ela não quer contar pra ninguém.
Quadro 4 – A mesma cena do quadro 2, só que agora, ao lado do Daniel aparece o amigo dele (vamos chama-lo de Bob)
Bob: Acho que ela está botando chifres na sua cabecinha! (aponta pra cabeça do Daniel)
Daniel: ...
Suzana: Ela nunca faria isso!
Quadro 5 – Todos continuam discutindo, e no fundo, mostra Juno se levantando.
Bob: Ta bom!! Como você é ingênua, menina.
Daniel: Ei Bob, fica na tua!
Suzana: Perái!!!

 (clique na imagem para ver melhor)























Página 16

Quadro 1 – Cena aberta de Juno andando através do pátio da escola. Seu celular começa a tocar.
Quadro 2 – Close para o celular da Juno, escrito: “Uma chamada perdida – Jay”.
Juno pensa: O que será que ele quer?
Quadro 3 – Passagem de tempo/espaço (Muda de cena para a garagem de Jay novamente)
Quadro 4 – Diego está sentado no sofá, fumando seu cigarro (definir cena)
Quadro 5 – Juno aparece de costas, apenas metade do corpo (costas e um pouco das pernas) e Diego continua olhando pro nada.
Juno: Ué, cadê todo mundo?
Diego: Sei lá.
Quadro 6 – Juno senta ao lado de Diego e afunda no sofá.
Juno: Às vezes ele me dá só um toque no celular, então não consigo atender. Sabe, o jay tem problemas...
Diego: É, bixisse aguda.
Juno: Que amigável...
Quadro 7 – Close para Diego, que agora olha para Juno.
Diego: Eu estava fazendo uma piada especialmente para você.


























*Ambas as páginas pertencem à terceira edição da série, que está disponível para download no menu "Edições" do blog  =)
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Um comentário:

  1. Uma vez comecei a escrever uma história, e depois resolvi transformar em roteiro. A história era narrada pela personagem, e ela não descrevia exatamente as coisas que aconteciam, descrevia mais suas impressões e coisas assim, e o rítmo era meio rápido, pelo jeito que ela narrava, e pra trasnformar em um roteiro era meio complicado, porque, eu tinha que pensar nos fatos, já que na história (que tava meio pra um conto) ela não falava muito como eram as coisas. Mas, eu prefiro escrever as expressões, e tudo, mais ou menos como você faz. (^^)

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